quarta-feira, 13 de junho de 2018

The Big Sick | Resenha



Sabe aqueles dias que você só quer um fast food cinematográfico? Uma comédia romântica, cheia clichês, que te faça acreditar minimamente no amor novamente com aquele final feliz impossível entre duas pessoas que se conheceram há uma semana de uma forma totalmente aleatória mas nunca tiveram um sentimento tão intenso e recíproco na vida, então, eu estava procurando isso quando assisti The Big Sick, pra complementar a receita clichê, amor e tudo que há de bom, ele ainda tinha sido indicado ao oscar de Melhor Roteiro Original para Kumail Nanjiani que além de ser o roteirista, atua no filme. 

A história se passa na vida de Kumail Nanjiani, o qual é um comediante de stand-up, Paquistanês, seus pais saíram do país em direção aos EUA na esperança de fugir da guerra. Apesar de pertencer a uma família extremamente tradicional, ele não concorda com muitos dos costumes da cultura paquistanesa, principalmente dos casamentos arranjados pela própria família, no qual ele mal conhece a noiva. A coisa se complica de vez quando Kumail conhece e logo se apaixona pela americana Emily (Zoe Kazan).

No começo estava tudo perfeito, caminhando na mais alta normalidade romance de sessão da tarde, até dando guiadas que parecem com Casamento Grego (2002) e você acha que o clichê enfim se instaurará até que uma reviravolta acontece no filme, como o próprio nome condiz (e as sinopses também), a personagem principal, Emily fica doente. Com a doença, a história que estava até então em segundo plano começa a ser figurar sendo principal. 




As diferenças culturais entre o ocidente e o oriente figuram no polo principal, não em uma visão apenas de relacionamento mas de compreender a vida de um modo geral. Existe uma concepção de família totalmente diferente em que Nanjiani mesmo não se enquadrando na sua, não consegue se afastar enquanto Emily vive longe dos país e mantém uma relação mais individual. Quando a mesma fica internada e Kumail precisa conviver com os seus, nasce uma relação sútil e natural, com diálogos rotineiros e cotidianos - que deixam o filme mais cru e realista, mas ao mesmo tempo que demonstram toda a diferença das ligações afetuosas. Utilizando recursos de humor para não dá o peso necessário as cenas e dá ao filme toda a carga dramática que ele teria em uma história da vida real, no passar das cenas, você percebe que ele é mais um retrato da vida de um imigrante muçulmano nos Estados Unidos no qual são comparados regularmente com terroristas. 

No fim, cheguei a conclusão de que Big Sick não tem a pretensão de ter uma grande importância, revolucionar o cinema, fazer algo marcante e grandioso. A intenção deve era retratar o dia à dia de um imigrante de uma forma natural, desenvolvendo os personagens através do diálogo, como acontece, todos os dias. Encontrando pessoas que o comparam ao ISIS, outras que o veem como um sobrevivente, outras que o veem como um ser humano, se embaralhando em piadas locais no qual o mesmo não faz o menor sentindo do que se tratam. Ele não é uma história de romance, ele é a humanização de alguém que deixou seu país e está a procura da sua identidade, da sua cultura, tentando se encaixar enquanto ainda vive sobre dois mundos. 

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